24.2.08
O medo
Inconseqüente
Que carrego em mim
Afrouxa-me a perna.
Sob minhas sobrancelhas
Seu reflexo
Em minha boca
Seu beijo
Anna Paes
Passei despercebidamente...
Meiga
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18.2.08
A entrada ficava mesmo ali. Era só atravessar aquela
queda de água que os nossos olhos viam, deslumbrados.
Depois, era preciso a gente molhar-se, sentir no corpo e na alma
aquela água fresca em cada uma das suas gotinhas. Milhares
ou milhões, não sei. Só sei de cada gotícula como uma estrela
fantástica de água e de sol a tocar-me e a envolver-me o ser
até bem ao fundinho de mim. Uma sensação inexplicável...
E pronto. Um enorme turbilhão, talvez por uma qualquer fantástica
magia ou milagre, levava-me para lá daquele espelho refrescante e
aí estava eu na Floresta Azul.
Azul??? Eu disse Floresta Azul??? Sim, era azul!!! Azul muito azul!!!
Cada árvore, mais azul que a outra, exibia as suas folhas azuis e
prometia às aves, às borboletas, aos veados... prometia-lhes flores,
muitas flores, aquelas que os nossos olhinhos viam, estupefactos, e
que estavam ainda em botão, à espera de desabrochar.
A Primavera estava quase aí e as flores de todas aquelas
árvores, frondosas e seculares, perfumariam os ares para encanto
e delícia de qualquer ser residente ou visitante da Floresta Azul.
E as flores? Eu queria tanto poder apreciar as suas cores e aromas!
Mas de que cores seriam as flores daquelas árvores azuis, tão azuis,
mais azuis ainda que o céu e o mar?
Teriam todos os tons de azul que os pintores famosos preparam,
avivam e esbatem na sua tela, conseguindo tonalidades únicas?
Ou seriam as suas pétalas pintadas com as cores do mais belo
arco-íris que a Fada Natureza desenhou entre Deus e os homens?
Eu estava tão curiosa que não cabia em mim!
Quem poderia saber? Quem poderia responder-me e saciar esta tão
grande curiosidade que crescia e até doía dentro de mim? Mas não via
por ali nenhum dos simpáticos habitantes da Floresta Azul. Que pena!
Estava na hora da sesta das ondinas e dos duendes e eu não tinha a
quem perguntar.
Ai que vontade de agarrar num botãozinho de uma das árvores e ...
Foi então que reparei que as árvores tinham percebido a minha
curiosidade e inquietação e segredavam entre si, sorrindo à socapa
por trás dos seus cabelos azuis de folhas e ramos emaranhados:
"Hi... hi... hi..." Então escutei um "pssst, pssst" vindo não sei bem de
onde. Avancei timidamente e detive o meu olhar atento naquela ávore
que me chamava. Avancei mais um pouco, devagar, e quase colei o
meu ouvido ao seu tronco largo, robusto e majestoso.
Era, soube mais tarde, a árvore mais idosa e sábia da Floresta Azul,
esta que calmamente, numa voz tão misteriosa quanto segura, me
falava nos seus lábios serenos de casca enrugada:
_ Queres saber de que cor são as flores das árvores da nossa floresta?
Pois bem, logo que desabrochem, verásque são lindas e têm a cor da vida
e da alegria de todos os seres vivos, animais e plantas que nela vivem, e
também a cor dos sorrisos. Sim, a cor dos sorrisos felizes das crianças
que amam e respeitam a Floresta Azul e todas as florestas do mundo.
Nita Ferreira
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4.2.08
Deixando cair suavemente olhares de prata,
derramei a teus pés pétalas de luar.
Luiz Rodrigues
Meiga